Títulos e Seleção Brasileira. Neste retorno ao futebol brasileiro,
Diego Souza foca estes dois objetivos. Para alcançá-los, o meia-atacante
acredita que o Cruzeiro é o clube perfeito.
– Espero conquistar
títulos pelo Cruzeiro, quero marcar a minha história no clube. Tenho que
‘fazer chover’ para voltar à Seleção Brasileira – declarou o meia.
Em bate-papo exclusivo com a equipe de reportagem do LANCE!Net,
o craque da Raposa falou sobre a responsabilidade de substituir
Montillo na galeria de ídolos do clube, a formatação do novo elenco
cruzeirense, o primeiro contato com o técnico Marcelo Oliveira e também
acontecimentos marcantes de sua carreira.
Confira, abaixo, a entrevista exclusiva com o novo jogador cruzeirense:
LANCE!Net: O que você espera dessa passagem pelo Cruzeiro?
A
expectativa é muito boa. Espero conquistar títulos pelo Cruzeiro, quero
marcar a minha história no clube. Temos um bom elenco e podemos ir
longe nesta temporada. Estou confiante e acredito bastante na força do
nosso grupo e da comissão técnica.
LANCE!Net: Você chega ao Cruzeiro para substituir o Montillo no hall de ídolos do clube. Como encara essa responsabilidade?
O
Montillo é um grande jogador, tem história aqui no Cruzeiro. Mas eu
tenho tudo para construir minha história pelo clube. Para conseguir
isso, tenho que marcar gols, dar assistências, ajudar a equipe a
conquistar títulos. Espero mostrar isso em campo e retribuir toda a
confiança que a diretoria depositou em mim. Gosto de encarar esse tipo
de responsabilidade, sou um jogador experiente e quero fazer o meu
melhor para buscar o meu espaço nesta galeria de ídolos.
LANCE!Net:
O que te fez optar pelo Cruzeiro, em detrimento de Vasco e Santos,
clubes que te procuraram e queriam contar com o seu futebol?
O
Cruzeiro me apresentou um ótimo projeto, visando a conquista de
títulos. Teve também a conversa com o Alexandre Mattos (diretor de
futebol). Ele foi bem franco e direto em tudo o que esperava de mim e o
que queria fazer para o clube. A estrutura do Cruzeiro foi outro ponto
que me incentivou a fechar com o clube. Estou bastante contente, porque
tudo o que me foi apresentado, a diretoria está cumprindo.
LANCE!Net:
O Cruzeiro passou por um período financeiro conturbado no ano passado e
o ex-presidente, Zezé Perrella, também comentou sobre o clube ter
adquirido uma fama negativa. Isso te preocupou em algum momento?
Não
vi essa situação, não deu para acompanhar. Mas o Cruzeiro tem um
histórico bom em relação a isso. A real fama é de ter uma diretoria
correta que sempre visa grandes conquistas. Porém, isso nem sempre é
sinônimo de títulos. Recentemente, trabalhei em um clube que devia
salários. A diretoria nem sempre fazia coisas corretas, mas em campo
tínhamos um bom elenco. O que posso dizer é que nem sempre o mais
correto fora de campo, conquistará os títulos. Depende muito dos fatores
que estão ao redor da equipe. O mais importante é dar certo em campo,
nem sempre fora dele.
LANCE!Net: Há a possibilidade de
você se ausentar do clássico do dia 3 de fevereiro devido a sua
inscrição junto à CBF. Como está esta situação?
Não estou
sabendo de nada. Não sei se isso é bom ou ruim (risos). Porém, não quero
ficar pensando nesta situação, deixo a cargo da diretoria e dos
advogados. Viso apenas o clássico, quero estar bem fisicamente para
ajudar o clube a conquistar uma vitória diante do Atlético. Espero que
tudo seja resolvido rapidamente.
LANCE!Net: Você chegou ao
clube com uma forma física um pouco longe do ideal por conta da
passagem pelo Al Ittihad, da Arábia Saudita...
Não é bem
assim. Quando começamos uma temporada, é importante ter uma base física.
Cheguei ao Al Ittihad em julho, era metade do ano aqui no Brasil.
Então, é uma época em que temos mais treinos com bola aqui, porque temos
jogos as quartas e aos finais de semana. O treino lá é assim, com a
bola. É tudo muito parecido. Aqui, na pré-temporada, fazemos mais treino
físico. Fiquei mais tempo parado que os meus companheiros, por ter
voltado em novembro, mas tenho trabalhado forte e, por isso, já estou
recuperando a boa forma.
LANCE!Net: O Cruzeiro vem de duas
temporadas ruins, sobretudo pelas contratações equivocadas. Acredita
que, neste ano, o clube acertou nos reforços?
Creio que sim,
a equipe foi bem montada pela diretoria e mescla juventude com
experiência. O Marcelo (Oliveira) tem um grupo forte em mãos e, sem
dúvidas, disputaremos todas as competições em alto nível.
LANCE!Net: Em relação ao Marcelo Oliveira, como você avalia o trabalho dele?
É
um treinador tranquilo, gosta de trabalhar a marcação em todos os
setores do campo. Tem o seu esquema de jogo predileto e não abre mão
disso. Porém, ele sempre nos dá liberdade de chegar até ele e falar o
que pensamos ou como preferimos jogar. É um grande técnico e, sem
dúvidas, vai dar certo aqui no Cruzeiro.
LANCE!Net: Você já falou sobre o sonho de voltar à Seleção. O que você pretende fazer para que isso aconteça?
Penso
em fazer um bom Campeonato Mineiro e também uma boa Copa do Brasil. Sei
que a Copa do Brasil terminará somente no fim do ano, mas tenho que
iniciar tudo muito bem para chamar a atenção do Felipão (técnico da
Seleção). Acredito que este primeiro semestre será fundamental para os
jogadores que desejam participar da Copa do Mundo e também da Copa das
Confederações.
LANCE!Net: Como se vê em relação à Seleção?
Acredito
que estou longe e prefiro pensar assim sempre, porque isso me faz ter
mais vontade de trabalhar. Isso me faz achar que tenho que ‘fazer
chover’ para voltar à Seleção. Não adianta disputar boas partidas e,
depois, me acomodar com isso, tenho que lutar sempre para voltar a
defender o Brasil.

Acho que foi em 2011, quando atuava pelo Vasco. Não posso negar que individualmente 2007 e 2009 também foram anos muito importantes. No primeiro, pelo Grêmio, fui vice-campeão da Libertadores e comecei a firmar na nova posição, como meia. No Palmeiras, venci o prêmio craque do Brasileirão. Inegavelmente é uma das melhores coisas que podem acontecer na carreira de um jogador. Contudo, no Vasco, conquistamos o título da Copa do Brasil e também ficamos nas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro, lutando por ele até o fim. Não dá para esquecer isso, porque estávamos desacreditados no início do ano.
LANCE!Net: Como avalia a passagem pelo Grêmio, quando se firmou na meia?
Comecei a atuar como apoiador no Flamengo. Mas no Grêmio eu me firmei de verdade. Foi um período muito bom para mim, o Mano (Menezes) confiou no meu futebol e acreditou em mim nesta posição. Fiz muitos gols e também trabalhei forte, porque queria melhorar o meu faro de gols. Felizmente, as coisas fluíram e deu tudo certo.
LANCE!Net: E o período pelo Palmeiras?
Foi um dos mais positivos na minha carreira, talvez o melhor depois do Vasco. Ali, tive a minha primeira convocação para a Seleção Brasileira e conquistei o prêmio de melhor jogador do Brasil. Fiz vários gols e joguei como gostava.
LANCE!Net: Depois do Palmeiras, você chegou ao Atlético-MG. Por que deu errado?
Cheguei ao Atlético-MG no meio da temporada, depois de muito tempo sem atuar. Ainda tinha que aprimorar a forma física, adquirir ritmo de jogo... Não tive tempo para me preparar e entrei em um time que já estava na zona de rebaixamento do Brasileirão. Felizmente, conseguimos escapar no fim do ano, mas isso já é passado. Depois, fiz uma boa pré-temporada, saí para o Vasco e, graças a Deus, fui muito feliz.
LANCE!Net: Atuou por Benfica (POR) e Al Ittihad (SAU) no exterior. Sente-se frustrado por não ter dado certo? Sairia novamente do Brasil?
Tenho três anos de contrato pelo Cruzeiro e estou muito feliz aqui no clube, isso é algo que me deixa bastante seguro e tranquilo. Quero cumprir o meu compromisso aqui. Não fico frustrado com as minhas saídas, pelo contrário. Não me arrependo de momento algum por ter saído em ambas as situações. Na primeira, cheguei ao Benfica muito novo, acho que esse foi o principal motivo para não ter dado certo. Na segunda, estava fazendo gols e ajudando a equipe. Por uma questão financeira, tive que voltar para o Brasil. Espero que, depois que cumprir meu contrato com o Cruzeiro, possa ter uma nova oportunidade e que dê tudo certo.
LANCE!Net: Você forma o setor de criação ao lado de Éverton Ribeiro e Everton. Como avalia esta situação de jogo?
Tenho atuado mais centralizado e também jogado com atletas inteligentes. Às vezes, apareço um pouco mais pelos lados do campo. É importante criarmos um entrosamento para que não deixemos nosso centroavante isolado e possamos municia-lo com boas jogadas.
LANCE!Net: Você atua centralizado, mas esta é a sua posição predileta?
No Vasco, eu jogava mais aberto, pelos lados do campo. Gosto de jogar assim, pelos flancos. Tenho força para me desvencilhar da marcação e velocidade para chegar à linha de fundo ou fechar na área. O mais importante, porém, é adquirir entrosamento com o restante do grupo, porque mudar é normal, isso sempre acontecerá. Às vezes, o entrosamento é que o faz você jogar melhor em determinada função.
LANCE!Net: Por fim, deixe a sua mensagem para os cruzeirenses.
Quero falar para o nosso torcedor que estou muito confiante e motivado com o projeto que me apresentaram no clube. Quero falar também que o Mineirão voltou. Dentro dele, seremos praticamente imbatíveis, porque sei que a torcida vai abraçar o nosso trabalho e a nossa vontade de conquistar títulos. Peço a todos que façam do Mineirão um verdadeiro caldeirão. Espero que briguemos por troféus e que essa nossa nova casa seja ótima.
Fonte: LanceNet